Encoder incremental e absoluto: qual a diferença e qual é a melhor opção

Atualizado em 16 de outubro de 2026

A diferença entre encoder incremental e absoluto está no que cada um informa: o incremental gera pulsos enquanto o eixo gira, e o controle conta esses pulsos a partir de uma referência; o absoluto entrega um código único para cada posição e sabe onde está assim que é ligado, mesmo depois de uma queda de energia. O incremental é a melhor opção para velocidade, metragem e movimentos rápidos; o absoluto, quando a posição não pode se perder.

Pontos principais

  • Incremental: pulsos nos canais A, B e Z, resolução em PPR, precisa de referenciamento a cada partida.
  • Absoluto: código por posição (em geral código Gray), resolução em bits, mantém a posição sem energia.
  • O absoluto custa mais, mas pode sair mais barato no conjunto quando evita referenciamento e peça perdida.
  • Monovolta lê a posição dentro de uma volta; multivolta também conta as voltas.
  • Na reposição, mantenha o mesmo tipo e o mesmo sinal do encoder original.

Tipos de encoder

Os tipos de encoder se dividem por quatro critérios: a forma de informar a posição (incremental ou absoluto), a tecnologia de leitura (óptica, magnética, capacitiva ou mecânica), o movimento medido (rotativo ou linear) e a montagem no eixo. Este artigo compara o primeiro critério, que é o que mais pesa na escolha. Para o funcionamento básico, veja antes o que é e como funciona o encoder rotativo.

CritérioTiposO que muda na prática
Forma de informar a posiçãoIncremental, absoluto e senoidal (variante do incremental, com sinais seno e cosseno)O que o controle recebe e se a posição sobrevive a uma queda de energia
Tecnologia de leituraÓptica, magnética, capacitiva e mecânica (de contato)Resolução e tolerância a poeira, óleo e umidade
Movimento medidoRotativo e linearGiro de um eixo ou deslocamento ao longo de uma régua
MontagemEixo sólido, eixo vazado e eixo expansivoComo o encoder se liga ao eixo da máquina

Encoder incremental: como funciona

O encoder incremental informa o movimento, não a posição. Ele gera pulsos enquanto o eixo gira, em dois canais (A e B) defasados de 90°, e muitas vezes em um terceiro canal (Z), com um pulso por volta. O controle conta os pulsos para saber quanto o eixo andou e compara A com B para saber o sentido.

Por isso, ele só informa a posição absoluta depois de passar por um ponto de referência, o chamado referenciamento. A resolução é dada em PPR, pulsos por rotação: um encoder de 1.024 PPR gera 1.024 pulsos por canal a cada volta. Muitos incrementais industriais são ópticos: o encoder óptico incremental lê um disco com janelas finas, iluminado por um LED.

Encoder absoluto: como funciona

O encoder absoluto informa a posição. Um disco com várias trilhas gera um código único para cada posição, geralmente em código Gray, em que só um bit muda de uma posição para a seguinte, o que reduz erros de leitura. O valor está disponível assim que o encoder é energizado.

Se o eixo for movido com a máquina desligada, a posição nova é lida logo que a alimentação volta. Essa é a propriedade que define o encoder absoluto: ele mantém a posição após uma falha de energia. A resolução vem em bits: 12 bits são 4.096 posições por volta.

O absoluto monovolta identifica a posição dentro de uma volta. O multivolta também conta quantas voltas o eixo deu, por engrenagens internas ou por contagem eletrônica, conforme o modelo. Ele é o indicado para eixos que dão várias voltas no curso completo, como fusos, tambores, pontes rolantes e elevadores.

A fabricante Dynapar resume a regra no seu guia de fundamentos de encoders (em inglês): o incremental gera pulsos e precisa de um ponto de referência; o absoluto fornece um valor único de posição, mesmo após falta de energia.

Encoder incremental ou absoluto: tabela comparativa

A tabela resume o que muda entre encoder incremental e absoluto em cada critério de projeto.

CritérioIncrementalAbsoluto
Sinal de saídaPulsos A, B e Z (TTL, HTL, line driver ou push-pull)Código digital (SSI, BiSS, paralelo ou rede industrial) ou sinal analógico
Queda de energiaPerde a posição e precisa buscar o zero de novoMantém a posição e a informa assim que religa
ResoluçãoEm PPREm bits por volta e, no multivolta, em bits de voltas
Ligação ao controleEntrada rápida do CLP, contador ou inversorMódulo SSI, rede (CANopen, Profibus, EtherNet/IP) ou entrada analógica
Alta dinâmicaResposta muito rápida, sinal simplesDepende do tempo de ciclo da interface
Preço do encoderMenorMaior
Aplicações típicasVelocidade de motor, metragem, corte no comprimento, contagemPosição de eixos, elevadores, pontes rolantes, comportas, robôs

Os termos da tabela: TTL é o sinal de 5 V; HTL tem nível próximo da tensão de alimentação, em geral 24 V. Line driver é a saída diferencial, em que cada canal vem com o seu complemento, o que dá mais imunidade a ruído; push-pull comuta ativamente para o nível alto e para o baixo.

SSI (interface serial síncrona) e BiSS são interfaces seriais em que o controle pede a posição e o encoder responde.

Encoder absoluto é mais caro? O que pesa no preço

Sim, em geral o encoder absoluto custa mais do que o incremental, e a diferença cresce com a resolução, com o multivolta e com a interface de rede. O preço de cada modelo depende da configuração, por isso não existe um valor de tabela que sirva para todos. O que mais pesa:

  • Resolução: mais bits por volta ou mais PPR.
  • Monovolta ou multivolta: contar as voltas encarece o encoder.
  • Interface: saídas em rede industrial costumam custar mais do que SSI ou analógica.
  • Construção: carcaça de aço inoxidável, vedação mais alta e faixa de temperatura estendida.

Mas o preço do encoder não é o custo total. Com um incremental, a máquina precisa de uma rotina de referenciamento, às vezes de um sensor de zero, e perde tempo a cada religamento. Se a energia cai no meio de um ciclo, a peça em processo pode ser perdida. Nesses casos, o absoluto costuma sair mais barato no conjunto.

Quando o encoder incremental é a melhor opção

O encoder incremental é a melhor opção quando a máquina pode buscar o zero a cada partida e o que importa é medir movimento:

  • realimentação de velocidade de motores com inversor de frequência;
  • medição de comprimento e corte no comprimento de chapas, bobinas, papel e tecido;
  • contagem e sincronismo de esteiras e máquinas de embalagem;
  • mecanismos de alta velocidade, em que a resposta rápida conta mais do que guardar a posição.

Exemplos: o B58N da Dynapar, com até 5.000 PPR e saída line driver, e o RI58 da Hengstler, com até 10.000 pulsos por volta. Veja todos os modelos na categoria de encoders incrementais.

Quando o encoder absoluto é a melhor opção

O encoder absoluto é a melhor opção quando perder a posição custa caro, por segurança, por tempo de máquina parada ou por peça perdida:

  • eixos que não podem perder a referência numa queda de energia;
  • máquinas que precisam partir sem rotina de referenciamento;
  • cursos longos, com várias voltas, como pontes rolantes, elevadores e fusos (multivolta);
  • integração direta em rede industrial, com posição, velocidade e diagnóstico pelo mesmo cabo.

Exemplos: o AI25 da Dynapar e o AC58 da Hengstler, com até 22 bits por volta e interfaces como SSI, BiSS e CANopen. Para quem não tem módulo SSI nem rede, o B58A da Dynapar é um absoluto com saída analógica (0,5 a 4,5 V, 0 a 5 V ou 4 a 20 mA), que liga direto numa entrada analógica do CLP. A linha completa está na categoria de encoders absolutos.

Cuidados que valem para os dois

Nos dois tipos, os cuidados principais são a vedação e a integridade do sinal. Nos encoders ópticos, a alta resolução depende de aberturas muito finas no disco, às vezes de poucos micrômetros de largura. Poeira, umidade, graxa ou sujeira dentro do encoder causam erros.

Por isso, o grau de proteção IP, definido pela norma IEC 60529, precisa combinar com o ambiente. IP65 protege contra poeira e jatos de água; IP67, também contra imersão temporária.

No incremental, há ainda o risco de perder a contagem. Se a alimentação varia, se o cabo pega ruído ou se a frequência dos pulsos passa do limite da entrada do CLP, o controle deixa de contar pulsos e a posição calculada se afasta da real. Cabo blindado, saída diferencial (line driver) e resolução compatível com a entrada resolvem a maior parte desses casos.

Erros comuns ao escolher entre os dois

  • Comprar um absoluto sem interface no controle: um encoder SSI ou de rede não é lido pela entrada rápida do CLP.
  • Escolher pelo preço do encoder: o incremental mais barato pode custar caro em referenciamento e peça perdida.
  • Trocar o tipo na reposição: o substituto precisa ter o mesmo tipo, o mesmo sinal, a mesma mecânica e a mesma resolução do original.

Ainda em dúvida? Mande o código do encoder atual, uma foto da etiqueta ou a descrição da aplicação pelo WhatsApp da Prodihl ou pelo formulário de contato, e a equipe técnica ajuda a especificar. Para decidir passo a passo, use o guia como escolher encoder em 5 perguntas.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre encoder incremental e absoluto?

O incremental gera pulsos enquanto o eixo gira, e o controle conta esses pulsos a partir de uma referência. O absoluto entrega um código único para cada posição. Por isso, o absoluto sabe onde está assim que é ligado, e o incremental precisa ser referenciado.

O encoder absoluto perde a posição quando falta energia?

Não. A posição vem do código lido no disco, não de uma contagem guardada na memória do controle. Ao religar, o encoder informa a posição atual, mesmo que o eixo tenha sido movido com a máquina desligada. No multivolta, o número de voltas também é mantido; a forma de guardar essa contagem varia conforme o modelo.

Qual é mais preciso, o encoder incremental ou o absoluto?

A precisão não depende do tipo, e sim da resolução, da qualidade do disco e da montagem. Há incrementais com 10.000 pulsos por volta e absolutos com 22 bits por volta. O que muda é a forma de informar a posição e o comportamento numa queda de energia.

O que é encoder absoluto multivoltas?

É o absoluto que, além da posição dentro da volta, conta quantas voltas o eixo deu. Um modelo com 12 bits de voltas distingue 4.096 voltas. É usado em fusos, tambores, pontes rolantes e elevadores, em que o curso completo tem muitas voltas.

Posso trocar um encoder incremental por um absoluto?

Pode, mas não é uma troca direta. O absoluto usa outra interface (SSI, rede ou analógica), então o CLP ou o acionamento precisa ter a entrada ou o módulo compatível, e o programa precisa ser ajustado. Em reposição, o normal é manter o mesmo tipo e o mesmo sinal do encoder original.

Existe encoder absoluto com saída analógica?

Sim. O B58A da Dynapar entrega a posição em 0,5 a 4,5 V, 0 a 5 V ou 4 a 20 mA, com resolução de 12 bits e faixa de medição parametrizável. É uma saída simples de ligar a uma entrada analógica do CLP.

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