Atualizado em 16 de outubro de 2026
A marcação Ex é o código da etiqueta que diz em que área classificada um equipamento pode ser instalado. Lida campo a campo, ela informa o tipo de proteção (como Ex d ou Ex h), o grupo do gás ou da poeira (IIA, IIB, IIC, IIIA, IIIB ou IIIC), a classe de temperatura (T1 a T6) e o nível de proteção do equipamento, o EPL (Ga, Gb, Gc, Da, Db ou Dc), que precisa ser compatível com a zona do local. No Brasil, equipamento elétrico para atmosfera explosiva precisa de certificação do Inmetro, com marcação no padrão da ABNT NBR IEC 60079.
Pontos principais
- A zona (0, 1 e 2 para gás; 20, 21 e 22 para poeira) vem do estudo de classificação da planta, não do fornecedor.
- O EPL liga o equipamento à zona: Ga e Da servem às zonas 0 e 20, Gb e Db às zonas 1 e 21, Gc e Dc às zonas 2 e 22.
- As escalas só valem para baixo: IIC atende IIB e IIA, e T6 atende qualquer exigência de T1 a T6. O contrário nunca.
- Equipamento só mecânico também pode causar ignição e é avaliado pelo tipo de proteção “h”.
- Para cotar, bastam a zona, a substância e a temperatura ambiente; a foto da etiqueta atual adianta tudo.
O que é área classificada (e o que a NR-20 diz)
Área classificada é o local onde existe, ou pode se formar, uma atmosfera explosiva: a mistura do ar com gás, vapor, névoa ou poeira combustível capaz de propagar chama. A NR-20 a define como a área “na qual uma atmosfera explosiva está presente ou na qual é provável sua ocorrência a ponto de exigir precauções e critérios especiais para seleção, instalação e utilização de equipamentos elétricos”.
É o caso de refinaria, usina de açúcar e etanol, silo e secador de grãos, moinho de ração e cabine de pintura. Nas instalações com inflamáveis, a NR-20 exige que o projeto identifique as áreas classificadas (item 20.5.2) e que o que é elétrico nelas siga a NR-10 (item 20.13.1).
Zona 0, zona 1 e zona 2: o que cada uma significa
A zona diz com que frequência a atmosfera explosiva aparece. Gás e vapor usam as zonas 0, 1 e 2; poeira combustível, as zonas 20, 21 e 22.
| Zona (gás) | Zona (poeira) | Atmosfera explosiva | EPL mínimo | Categoria ATEX |
|---|---|---|---|---|
| 0 | 20 | Presente de forma contínua ou por longos períodos | Ga / Da | 1 |
| 1 | 21 | Provável em operação normal | Gb / Db | 2 |
| 2 | 22 | Improvável e, se ocorrer, dura pouco | Gc / Dc | 3 |
Quem define a zona é o estudo de classificação de áreas da planta, conforme a ABNT NBR IEC 60079-10-1 (gás) e a 60079-10-2 (poeira). O certificado do equipamento não traz zona, traz EPL. Por isso a zona precisa estar no pedido, e é o dado que mais falta.
Como ler a marcação Ex, campo por campo
A marcação Ex se lê campo a campo, da esquerda para a direita: grupo e categoria (na parte ATEX), tipo de proteção, subgrupo, classe de temperatura e EPL. O exemplo é a marcação de gás do contador pneumático ATEX Hengstler 497: Ex II 2G Ex h IIB T4 Gb.
O trecho Ex II 2G é a marcação da diretiva europeia ATEX; o trecho Ex h IIB T4 Gb segue as normas IEC 60079 e ISO 80079-36, e é esse o formato da marcação brasileira.

Grupo e categoria: o “II 2G”
O grupo diz onde o equipamento vai operar: I é mineração subterrânea (o risco é o grisu, metano da mina), II é gás na indústria de superfície e III é poeira. Na parte ATEX, o grupo II cobre gás e poeira, e a letra G ou D diz qual dos dois.
A categoria ATEX diz a zona: a 1 atende às zonas 0 e 20, a 2 às zonas 1 e 21, a 3 às zonas 2 e 22. Em mineração, o equipamento M1 pode seguir ligado com atmosfera explosiva presente; o M2 precisa ser desligado. A marcação brasileira não usa categoria: quem faz esse papel é o EPL.
Tipo de proteção: Ex d, Ex e, Ex i, Ex h e outros
O tipo de proteção é a letra que diz como o equipamento evita a ignição.
| Letra | Tipo de proteção | Como funciona |
|---|---|---|
| d | Invólucro à prova de explosão | Suporta uma explosão interna sem deixar a chama sair |
| e | Segurança aumentada | Evita arco, faísca e superfície quente em operação normal |
| ia, ib, ic | Segurança intrínseca | Limita a energia do circuito; ia serve até a zona 0, ib até a 1, ic só à 2 |
| p | Pressurização | Mantém gás de proteção com pressão positiva no invólucro |
| m | Encapsulamento | Envolve em resina as partes que poderiam causar ignição |
| t | Proteção por invólucro | Barra a entrada de poeira e limita a temperatura de superfície |
| h | Equipamento não elétrico | Avalia atrito, impacto e aquecimento (ABNT NBR ISO 80079-36 e 80079-37) |
A letra h desfaz um erro comum: equipamento mecânico também precisa ser avaliado. Redutor, bomba ou contador puramente pneumático não têm circuito elétrico, mas podem causar ignição por atrito, impacto ou aquecimento.
Subgrupo: IIA, IIB, IIC, IIIA, IIIB e IIIC
O subgrupo separa as substâncias pela facilidade de ignição, e a escala é crescente: um equipamento IIC atende IIB e IIA, mas um IIB não serve em atmosfera IIC.
| Subgrupo | Atmosfera | Referência |
|---|---|---|
| IIA | Gás e vapor | Propano |
| IIB | Gás e vapor | Etileno |
| IIC | Gás e vapor, o mais severo | Hidrogênio e acetileno |
| IIIA | Fibras combustíveis | Fiapos de algodão |
| IIIB | Poeira não condutiva | Poeira de grãos, farelo e açúcar |
| IIIC | Poeira condutiva, a mais severa | Poeiras metálicas, como a de alumínio |
Quando a marcação cita um gás, como em IIB + H2, o equipamento atende ao IIB e também ao hidrogênio, sem cobrir os outros gases do IIC.
Classe de temperatura: T1 a T6
A classe de temperatura limita a temperatura máxima de superfície, que precisa ficar abaixo da temperatura de ignição do gás presente. Quanto maior o número, mais fria a superfície.
| Classe | T1 | T2 | T3 | T4 | T5 | T6 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Superfície até | 450 °C | 300 °C | 200 °C | 135 °C | 100 °C | 85 °C |
Em poeira, a temperatura vem em valor, como T130 °C, porque a camada depositada sobre o equipamento isola e pode inflamar abaixo da temperatura da nuvem; compare com os dados da poeira da planta. A faixa de temperatura ambiente também faz parte da certificação: se a marcação não indica outra, vale a faixa padrão de −20 °C a +40 °C.
EPL: Ga, Gb, Gc, Da, Db e Dc
O EPL (Equipment Protection Level, nível de proteção do equipamento) é o campo que liga o equipamento à zona: Ga à zona 0, Gb à zona 1, Gc à zona 2, e Da, Db e Dc às zonas 20, 21 e 22. Ma e Mb são de mineração.
Exemplos de marcação Ex traduzidos
Traduzir uma marcação é ler cada campo e cruzar o resultado com a zona do local. A primeira linha é um exemplo genérico de equipamento elétrico; as outras três são do contador Hengstler 497 ATEX, certificado para gás, poeira e mineração, com temperatura ambiente de 0 °C a 60 °C.
| Marcação | Onde pode ser usado | O que diz |
|---|---|---|
| Ex d IIB T4 Gb | Zonas 1 e 2 de gás | Invólucro à prova de explosão, gases até IIB, superfície até 135 °C |
| Ex II 2G Ex h IIB T4 Gb | Zonas 1 e 2 de gás | Equipamento não elétrico, gases até IIB, superfície até 135 °C |
| Ex II 2D Ex h IIIB T130 °C Db | Zonas 21 e 22 de poeira | Poeira não condutiva, superfície até 130 °C |
| Ex I M2 Ex h I Mb | Mineração subterrânea | Deve ser desligado se a atmosfera explosiva aparecer |
Marcação Ex no Brasil: Inmetro, ATEX e IECEx
No Brasil vale a regra do Inmetro. A ATEX (diretiva europeia 2014/34/UE) e o IECEx (sistema internacional de certificação da IEC) são referências reconhecidas, mas não substituem a certificação brasileira de equipamento elétrico.
Equipamento elétrico: a Portaria Inmetro nº 115, de 21 de março de 2022, torna compulsória a certificação dos equipamentos elétricos, de instrumentação, de automação e de telecomunicações para atmosferas explosivas. Ela é feita por organismo acreditado pelo Inmetro, com base na série ABNT NBR IEC 60079.
O equipamento certificado traz a marcação Ex, o número do certificado e o selo do Inmetro. Certificado com final X tem condições específicas de uso, que precisam ser seguidas na instalação; final U indica componente, que só pode ser usado dentro de um equipamento certificado.
Equipamento só mecânico: a Portaria 115/2022 não trouxe requisitos para ele, e até outubro de 2026 não há regulamento compulsório do Inmetro. As referências são a ABNT NBR ISO 80079-36 e a 80079-37, que a NR-37 exige nas plataformas de petróleo (item 37.24.8). Um certificado ATEX é uma credencial legítima, mas vale o que pede a especificação do projeto, muitas vezes mais rígida que o mínimo legal.
Como escolher o equipamento pela marcação Ex
Um equipamento serve quando cada campo da marcação é igual ou mais rigoroso que o exigido pelo local:
- EPL igual ou superior ao da zona (Ga cobre Gb e Gc);
- subgrupo igual ou superior ao da substância (IIC cobre IIB e IIA);
- classe de temperatura com número igual ou maior, ou superfície abaixo do limite da poeira;
- temperatura ambiente certificada cobrindo a do local e, se for elétrico, certificado válido no Brasil.
É a mesma regra para achar o equivalente de um equipamento que vai ser trocado: o substituto pode ter marcação mais rigorosa, nunca menos. Para a cotação, mande a zona, o nome do gás ou da poeira (ou o subgrupo), a temperatura ambiente mínima e máxima e a foto da etiqueta atual, com a marcação e o número do certificado legíveis.
| Erro comum | Por que dá problema |
|---|---|
| Pedir “à prova de explosão” sem dizer a zona | “À prova de explosão” é só o tipo d; o que define o uso é o EPL |
| Usar equipamento marcado só para gás (G) em zona de poeira | A zona 21 pede marcação para poeira, com EPL Db |
| Escolher IIB em área com hidrogênio | Hidrogênio é IIC; o IIB só serve se a marcação incluir + H2 |
| Ignorar o X do certificado | As condições específicas de uso fazem parte da certificação |
| Supor que equipamento mecânico está dispensado | Atrito, impacto e superfície quente também causam ignição |
Equipamentos para área classificada na Prodihl
O contador Hengstler 497 ATEX faz parte da linha de contadores pneumáticos que a Prodihl distribui. Ele conta só com ar comprimido, sem energia elétrica no ponto, de 2 a 6 bar, com ar filtrado, seco e não lubrificado conforme a ISO 8573. Fora de área classificada, a versão padrão é o pré-determinador pneumático Hengstler 497.
Na linha Sense, há sensores indutivos com sufixo Ex no código, como o PS5-18GI50-E2-V1-Ex, cuja página informa aprovação Inmetro/Cepel para poeira combustível. A equipe técnica confirma a marcação e o certificado da versão para a sua zona antes de fechar.
Para o ar que alimenta o contador ATEX, veja as classes de ar comprimido da ISO 8573-1. Para contar produção sem energia elétrica, leia sobre contador de produção em máquina sem CLP e sobre onde tirar o sinal de um cilindro pneumático.
Com a zona definida, peça a cotação. Sem ela, mande pelo WhatsApp a foto da etiqueta do equipamento instalado: a equipe lê a marcação e indica o equivalente.
Perguntas frequentes
O que significa Ex d IIB T4 Gb?
É um equipamento com invólucro à prova de explosão (d), para gases até o subgrupo IIB, com superfície que não passa de 135 °C (T4) e nível de proteção Gb. Ele pode ser instalado nas zonas 1 e 2 de gás, mas não na zona 0 nem com hidrogênio ou acetileno, que são IIC.
Qual a diferença entre zona 1 e zona 2?
Na zona 1, a atmosfera explosiva é provável em operação normal; na zona 2, é improvável e, se aparecer, dura pouco. A zona 1 pede EPL Gb ou Ga, e a zona 2 aceita também Gc.
Um equipamento IIB pode ser usado em atmosfera IIC?
Não. IIC atende IIB e IIA, mas IIB não atende IIC. A exceção é a marcação com gás específico, como IIB + H2, que cobre também o hidrogênio.
Certificado ATEX vale no Brasil?
Para equipamento elétrico, não: ele precisa da certificação compulsória do Inmetro, com marcação conforme a ABNT NBR IEC 60079. Para equipamento só mecânico, não há regulamento compulsório do Inmetro até outubro de 2026, e o ATEX é uma credencial reconhecida. Em qualquer caso, vale a especificação do projeto.
Equipamento sem energia elétrica precisa de certificação Ex?
Precisa ser avaliado, se for instalado em área classificada. Atrito, impacto e superfície quente podem causar ignição, e é disso que trata o tipo de proteção h, das normas ABNT NBR ISO 80079-36 e 80079-37.







